Por dívida de R$ 900, idosa perde casa avaliada em R$ 700 mil

Uma dívida de R$ 900 fez com que uma idosa de 74 anos perdesse a casa onde morava, no bairro Cachoeirinha, na região Nordeste de Belo Horizonte. O imóvel, que foi vendido por R$350 mil em um leilão, está avaliado em mais de R$ 700 mil.

De acordo com Dona Maria José, proprietária o imóvel, toda a história começou em 2009 quando seu marido passou mal e foi levado para um hospital particular de Belo Horizonte.

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Segundo Valéria Cristina, filha do casal, o pai precisou fazer um exame, mas o plano de saúde não cobria. No desespero da família, o procedimento foi autorizado. Mas, o idoso morreu e os familiares ficaram sem condições financeiras para pagar o valor devido ao hospital.

“Nós [família] tentamos negociar [a dívida], mas ficou naquela situação de que nós iríamos correr atrás dos direitos para saber se o plano cobria ou não”.

Quase três anos depois, a família recebeu uma intimação. O hospital cobrava a dívida.

“Quando foi em 2011, nós recebemos um oficial de Justiça, que trouxe uma intimação para minha mãe, que dizia que ela deveria comparecer até o Fórum. De lá para cá, essa situação foi se agravando”, conta.

Segundo a filha da idosa, em 2019, eles descobriram que o único imóvel da família tinha ido a leilão e sido arrematado por R$ 350 mil. A casa vale mais de R$ 700 mil.

“Nós recebemos uma pessoa que veio até nossa casa e disse que tinha arrematado o imóvel em um leilão. Eu fiquei surpresa com a situação. Eu achei que havia sido um engano pois nós nunca tínhamos recebido nada. Nós temos um advogado que está cuidando disso, mas nós não fomos comunicados”, explica.

A reportagem da Record TV Minas perguntou ao advogado Flávio Rodrigo, especialista em direito imobiliário, se a legislação permite que o único imóvel de uma família seja leiloado em função de uma dívida.

“A lei n° 8990 diz que o imóvel da entidade familiar é impenhorável. No caso da dona Maria, o imóvel dela é o único em que ela reside desde o seu casamento e onde criou os filhos”.

O IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) do imóvel já está chegando em nome do atual proprietário. A família não sabe mais o que fazer e não tem para onde ir. O problema está tirando o sono e a saúde da dona Maria José.

“Meu maior medo é de alguém chegar aqui e despejar a gente. Inclusive eu estou com problema de coração, tudo depois dessa confusão”.

A reportagem do R7 entrou em contato com o Tribunal de Justiça, que ainda não conseguiu levantar os dados sobre o processo.