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Eduardo Azeredo condenado a 20 anos de prisão

Quinta-feira, 17 de dezembro de 2015, 10h32min

O ex-senador Eduardo Azeredo (PSDB) foi condenado nesta quarta-feira pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. A decisão é da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte e foi proferida pela juíza Melissa Pinheiro Costa Lage.

Ao todo, as penas somam 20 anos e 10 meses de prisão. A decisão é de primeira instância, portanto cabe recurso. As condenações são decorrentes do esquema conhecido como mensalão mineiro, ocorrido durante a campanha de 1998 para disputa da reeleição do tucano ao governo de Minas Gerais. Azeredo foi condenado por desviar R$ 3,5 milhões.

De acordo com a sentença, Azeredo recebeu condenação por seis crimes de lavagem de dinheiro. Nesse caso, a pena somada é de sete anos e seis meses de reclusão. Além de 504 dias-multa. Já para o crime de peculato, a sentença estabelece 13 anos e quatro meses de reclusão Nesse caso também houve estabelecimento de penalidade em dinheiro, 1.400 dias-multa.

Em trecho da sentença, a juíza classifica o comportamento de Azeredo como “reprovável”. “Promover o desvio dessa verba em benefício próprio, no caso, com a finalidade de se reeleger, o acusado atraiçoa o sentido de poder que o cargo lhe proporciona, atribuído pelo povo. Além disso, inspira outros agentes a práticas criminosas e à impunidade, razão pela qual o grau de censura deve ser exacerbado”, afirmou.

O tucano teria utilizado contratos de publicidade de fachada para os eventos esportivos Enduro da Independência, Mundial de Supercross e Iron Biker patrocinados pelas estatais mineiras Comig, Copasa e Bemge por meio da SMP&B Comunicação, usada por Marcos Valério para abastecer também o esquema petista.

Esse dinheiro, segundo a juíza Melissa Lage, abasteceu o caixa 2 da campanha do tucano. "Criou-se uma organização criminosa complexa com divisão de tarefas aprofundada, de forma metódica e duradoura", assinala a juíza na sentença.

"Foi criado um caixa robusto para a campanha eleitoral, com arrecadação de fundos de diversas fontes, inclusive de recursos públicos da Copasa, da Comig e do Bemge, aproveitando-se do uso da máquina pública", continua a magistrada na sentença.

À noite, em nota, o PSDB manifestou surpresa com a sentença. “A decisão de primeira instância em relação a Eduardo Azeredo surpreendeu a todo o PSDB, que conhece a trajetória política e a correção que sempre orientou a vida do ex-senador e ex-governador.

Respeitamos a decisão da Justiça, mas estamos confiantes de que nas instâncias superiores o ex-senador possa apresentar as razões de sua inocência e haja reavaliação da decisão”, diz a íntegra da nota.