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O homem é assassinado por estranhos, enquanto a mulher morre dentro de casa, diz Maria da Penha

Segunda-feira, 29 de junho de 2015, 10h16min

Um grande momento de debate e troca de experiência sobre os desafios no enfrentamento à violência contra as mulheres reuniu mais de 400 pessoas no Centro de Eventos de Chapecó, na última sexta-feira (26) e sábado (27) no Fórum pelo fim da violência contra a mulher.

O evento, organizado pela Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Bancada Feminina da Alesc e pelo Conselho Municipal da Mulher de Chapecó, contou com a presença de Maria da Penha Fernandes, a cearense que teve a coragem de enfrentar as agressões e ameaças do companheiro e lutar para conseguir na justiça ampliar os direitos e proteção contra a violência doméstica.

De acordo com a deputada estadual Luciane Carminatti, que representou a Alesc e a Bancada Feminina, o Brasil ocupa hoje a 7ª posição de país mais violento contra a mulher, enquanto que Santa Catarina possui cinco cidades na lista das mais violentas.

“Reunimos autoridades e especialistas para discutir essas questões, pois é doloroso saber que a cada 15 segundos uma mulher é agredida. Triste saber também que somente em Chapecó neste início do ano cinco mulheres foram assassinadas e mais 14 no ano passado. A maioria delas por companheiros, principalmente aqueles que não aceitam a separação”, avalia a deputada.

Pesquisas recentes mostram que a lei Maria da Penha tem contribuído para a redução dos índices de crimes contra a mulher, desde que foi implantada em 2006. “Mas ainda faltam redes integradas de atendimento, investimentos em programas e políticas públicas, fortalecimento de órgãos como as coordenadorias da mulher, secretarias municipais, centros de referência de atendimento às vítimas, formação, trabalho e renda, uma vez que a dependência financeira também impede a mulher de buscar ajuda ou de se afastar do agressor”, aponta a parlamentar.

Um dos dados que merece atenção é que no oeste catarinense o número de meninas violentadas sexualmente cresceu nos últimos anos. “Por isso, é importante que esse tema seja trabalhado desde a escola, para que as crianças cresçam com o entendimento de que é preciso acima de tudo respeitar o ser humano”, disse Luciane, ao se emocionar com a peça de Teatro "Gibi Maria da Penha na Escola", apresentada por alunos de Caxambu do Sul.

Incansável na luta

Mas para que a Lei Maria da Penha pudesse hoje proteger muitas mulheres, teve uma mulher que não poupou forças e coragem no enfrentamento a violência. Maria da Penha Fernandes foi vítima de um tiro dado pelo próprio marido e levou 20 anos para conseguir na justiça a prisão do agressor.

O relato dessa história de luta foi feito pela própria Maria da Penha Fernandes. Segundo ela, o estado tem o dever de proteger as mulheres. Citou o Centro de Referência da Mulher como uma das principais ferramentas de combate à violência, pois quem é acolhido recebe as orientações necessárias para se fortalecer e enfrentar o problema e não permitir que volte acontecer.

“Na delegacia ou na Casa Abrigo ela pode denunciar e se arrepender no dia seguinte, mas quando ela está consciente vai conseguir enfrentar a situação”, disse, ao saber que Chapecó ainda não possui Centro de Referência da Mulher, assim como outras cidades da região.

“Muitas vezes elas estão desorientadas, tem medo de buscar ajuda e tem medo do agressor, por isso não denunciam”, afirmou. Disse ainda que é preciso investir em educação para que o respeito predomine. “Nós que somos 52% da população e mães dos outros 48% temos o dever de educar nossos filhos para a igualdade”.