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Dinheiro de propina direcionada ao PT foi repassado para campanha presidencial de aliado de Lula em El Salvador

Segunda-feira, 5 de dezembro de 2016, 12h05min

Parte do dinheiro de propina direcionado pela empreiteira Odebrecht ao PT bancou a campanha de Mauricio Funes à presidência de El Salvador em 2008. A revelação foi feita no acordo de delação premiada assinado pela construtora com os investigadores da Operação Lava Jato.

Segundo os relatos da empresa, o repasse ilegal, no valor de R$ 5,3 milhões, teria sido intermediado pela ex-primeira dama do país centro-americano Vanda Pignato, que é brasileira e militante do PT desde a década de 1980.

De acordo com informações de matéria publicada pela Folha de S. Paulo neste sábado (3), os valores repassados à campanha de Mauricio Funes teriam sido descontados do caixa que o Partido dos Trabalhadores mantinha junto a Odebrecht para pagamentos de origem ilícita.

O abatimento dos valores teve a autorização do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o relato dos executivos da construtora. O petista foi um dos principais apoiadores de Funes durante a campanha presidencial.

Os delatores informaram ainda que os recursos foram pagos ao ex-marqueteiro do PT João Santana, responsável pela comunicação da campanha que levou Funes à presidência de El Salvador. Um ex-sócio de Santana revelou à reportagem que o marqueteiro contou que fez o trabalho a pedido do Partido dos Trabalhadores.

A revelação feita pela Odebrecht esclarece um dos itens da planilha “POSICAO ITALIANO310712MO.xls”, encontrado pela Polícia Federal nos arquivos do ex-funcionário da construtora Fernando Migliaccio.

Para os investigadores, o arquivo se refere aos repasses ilegais à campanha em El Salvador, por conter a seguinte discriminação: “Evento El Salvador via Feira 5.300”. “Feira” era o codinome de João Santana no esquema da empreiteira. Já “italiano” se refere ao ex-ministro Antonio Palocci, principal administrador do caixa que o PT mantinha junto à Odebrecht.