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A competitividade não leva à felicidade”, afirma secretário nacional de Economia Solidária em palestra em SC

Segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016, 7h38min

“Fábrica de infelicidade”. É assim que o secretário nacional de Economia Solidária, o professor e economista Paul Singer, de 84 anos, resume o sentimento contemporâneo de competitividade que todos enfrentamos desde os primeiros anos de vida. 

A convite da frente parlamentar de Economia Solidária, Singer esteve ontem (26/2) em Florianópolis para palestrar na Assembleia Legislativa de SC (Alesc), onde passou cerca de duas horas debatendo formas de organização mais empáticas e igualitárias que o capitalismo desenfreado.

– Desde a escola, somos convidados a competir com o próximo como se isso fosse necessariamente nos trazer felicidade. Para mim, é muito mais fácil alcançar esse objetivo fazendo justamente o contrário: levando o bem para as outras pessoas – afirmou Singer, que assumiu a Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES) em 2003.

O evento desta sexta-feira foi promovido pela Frente Parlamentar de Economia Solidária da Casa, encabeçada pela deputada estadual Luciane Carminatti (PT), e reuniu por cerca de 150 membros de movimentos sociais, cooperativas e empreendedores individuais do Estado inteiro.

– Praticar a solidariedade em um sistema capitalista é peculiarmente difícil, porque vivemos toda nossa vida em uma constante rotina de disputa. Mas é possível trazer qualidade de vida e dar mais importância a pessoas que são historicamente excluídas de seus direitos, ou que nunca sequer participaram de uma economia “formal” – avaliou a deputada Luciane.

Paul Singer nasceu em 1932 e, de família judia, se radicou no Brasil em 1940 para fugir da perseguição nazista. Foi eletricista, sindicalista e é apontado como um dos líderes da histórica greve dos 300 mil, em 1953. Formou-se em Economia na USP e ajudou a fundar o PT em 1980. Sob os governos Lula e Dilma se tornou responsável pela Senaes, destacando-se na defesa do cooperativismo e dos bancos comunitários.

– Jamais paramos de aprender uns com os outros, e é isso que torna a Economia Solidária uma escola em si: a convivência, a empatia, a troca de experiências – explicou Singer.

 

BIOGRAFIA: PAUL SINGER


Nascido em 1932, em uma família de pequenos comerciantes judeus de Viena, na Áustria, Paul Singer se radicou no Brasil em 1940 para fugir da perseguição nazista. 

Foi eletricista no início da juventude e filiou-se ao Sindicato dos Metalúrgicos de SP, sendo apontado como um dos líderes da histórica greve dos 300 mil, em 1953.

Formou-se em Economia na USP em 1959 e começou a trabalhar como professor da mesma faculdade no ano seguinte, obtendo doutorado em 1966.

Em 1980, ajudou a fundar o PT junto com outros intelectuais, como Plínio de Arruda Sampaio, Perseu Abramo e Sérgio Buarque de Holanda. Também foi secretário de planejamento da cidade de São Paulo entre 1989 e 1992.

Os trabalhos mais recentes de Singer são voltados à Economia Solidária. Desde 2003, é secretário nacional de Economia Solidária (SENAES), nos governos Lula e Dilma, destacando-se pela defesa dos bancos comunitários.