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Desvio de recursos na Câmara de vereadores de Tijucas

Sexta-feira, 22 de janeiro de 2016, 16h51min

Após um ano e meio de investigações, incluindo prisões temporárias e apreensão de documentos, a Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) divulgou na manhã desta sexta-feira o resultado da operação Iceberg, que apurou um rombo de R$ 550 mil na Câmara de Vereadores de Tijucas.

Ao todo, foram 47 pessoas indiciadas, incluindo todos os 13 vereadores do município. 

Três vereadores chegaram a ser presos temporariamente durante as investigações. De acordo com a polícia, o dinheiro era gasto com diárias e inscrição em um curso administrativo inexistente de Curitiba (PR) para servidores e vereadores.

O delegado Walter Watanabe concedeu entrevista na sede da Deic, em Florianópolis, para revelar os detalhes da investigação:

Começamos investigando uma denúncia sobre desvio em ligações telefônicas na Câmara, mas observando os documentos, encontramos esse golpe.

Em alguns casos, os servidores e vereadores nem mesmo iam até Curitiba. Ficavam em Tijucas e recebiam as diárias.

O rombo entre 2013 e meados de 2015 chegou a R$ 550 mil, sendo R$450 mil em diárias e R$ 100 mil com a empresa paranaense.

O delegado informou ainda que, dos 47 indiciados, dez pessoas, entre vereadores e servidores, admitiram o golpe. 

Há indícios de que outras 27 câmaras de vereadores de Santa Catarina realizaram contratos com a empresa responsável pelo curso de Curitiba, que não teve o nome revelado.

No país, o número de câmaras chegaria a 77, sendo 40 municípios do Paraná,  seis do Rio Grande do Sul, um de Minas Gerais e um do Rio de Janeiro. A polícia não informou o nome das cidades. 

Na coletiva, o delegado Watanabe e o diretor da Deic, delegado Adriano Bini, informaram que as investigações continuam no Estado para apurar os gastos nos outros 27 municípios catarinenses que tiveram contratos com a empresa paranaense.  

Os crimes encontrados foram peculato, associação criminal, falsidade ideológica, concussão e fraude processual majorada.

A assessoria de imprensa da Câmara de Vereadores de Tijucas informou que, por ser feriado no município, não houve expediente no órgão legislativo nesta sexta-feira.

Por isso, não haveria um comunicado sobre o indiciamento de todos os vereadores e 27 servidores comissionados. 

Em dezembro do ano passado, o presidente da Câmara, Eder Muraro (DEM), e os vereadores Sérgio Murilo Cordeiro (PMDB) e Luiz Rogério da Silva (PMDB) foram presos temporariamente devido à investigação da operação Iceberg.