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Mulher de lobista é presa em São Paulo na Operação Zelotes

Terça-feira, 19 de janeiro de 2016, 0h01min

A Polícia Federal prendeu na tarde desta segunda-feira, em São Paulo, a empresária Cristina Mautoni, acusada de integrar o esquema de compra de medidas provisórias no governo federal investigado na Operação Zelotes.

Mulher e sócia do lobista Mauro Marcondes, preso preventivamente em Brasília por suspeita de operar o pagamento de propinas para viabilizar as MPs, Cristina foi detida em sua casa, no bairro do Morumbi, onde se recupera de uma cirurgia nas pernas.

Segundo a defesa da empresária, ela foi levada pelos agentes em uma cadeira de rodas. A ordem de prisão foi dada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília, responsável pelos processos da Zelotes.

Mauro e Cristina são réus em uma ação penal por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, os dois operaram esquema de pagamento de propina para conseguir a edição, pelo governo, e a aprovação, pelo Congresso, de medidas provisórias que concediam incentivos fiscais a montadoras de veículos.

A Marcondes e Mautoni Empreendimentos, empresa de lobby que pertence ao casal, fez pagamentos de 2,5 milhões de reais à LFT Marketing Esportivo, do empresário Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula.

Os investigadores da Zelotes suspeitam que os repasses tenham ligação com as medidas provisórias. O filho de Lula alega ter recebido o dinheiro por serviços de consultoria esportiva.

Uma semana antes de a PF prender Cristina, Mauro Marcondes recebeu a visita do delegado Marlon Oliveira Cajado, um dos responsáveis pelas investigações. O advogado do casal, Roberto Podval, no encontro, Cajado "chantageou" seu cliente para que fizesse acordo de delação premiada.

Segundo Podval, a colaboração foi proposta como uma forma de Mauro Marcondes evitar a transferência de Cristina para uma unidade prisional.